Daniela Risso — Psicologia & Psicanálise ← Voltar ao site

Ensaios & Escritos · Ensaio VI

Psicóloga, psicanalista ou terapeuta?

Daniela Risso Outubro de 2026 5 min de leitura

Quem decide procurar ajuda costuma esbarrar, logo no começo, em uma pequena confusão de nomes. Psicóloga, psicanalista, terapeuta, psicoterapeuta, psiquiatra. A pessoa já reuniu coragem para buscar ajuda e, de repente, precisa entender um vocabulário inteiro antes de marcar a primeira conversa.

Escrevo este texto porque essa pergunta aparece com frequência na conversa inicial — às vezes dita, às vezes só sugerida. E porque entender as palavras ajuda a escolher com mais tranquilidade.

Psicóloga: uma formação e um registro

Psicóloga é quem se formou em Psicologia, uma graduação de cinco anos, e tem registro no Conselho Regional de Psicologia. É uma profissão regulamentada: o registro, o CRP, é público e pode ser consultado por qualquer pessoa no Cadastro Nacional de Psicólogos.

Dentro da Psicologia existem muitos caminhos. Há quem trabalhe em escolas, hospitais, empresas, na avaliação psicológica ou na clínica. E, na clínica, há abordagens diferentes — a psicanálise é uma delas.

Psicanalista: uma escuta que se forma ao longo do tempo

A psicanálise nasceu com Freud e foi relida por muitos depois dele, entre eles Lacan. Ela parte de uma aposta simples de dizer e difícil de sustentar: falar, e ser escutado, transforma. Não por conselhos ou receitas, mas porque, ao falar, a pessoa começa a ouvir o que diz — e a perceber o que se repete.

A formação de um psicanalista não termina com um diploma. Ela se apoia em três pilares: o estudo teórico, a supervisão dos atendimentos e a própria análise. É um percurso longo, feito em instituições de formação, que acompanha o profissional por toda a vida.

Vale saber: no Brasil, psicanalista não é uma profissão regulamentada como a de psicóloga. Por isso, perguntar sobre a formação de quem vai escutar você não é desconfiança. É cuidado.

Perguntar sobre a formação de quem vai escutar você não é desconfiança.
É cuidado.

E terapeuta, psicoterapeuta, psiquiatra?

Terapeuta e psicoterapeuta são palavras mais amplas. Dizem respeito a quem conduz um processo terapêutico, mas não indicam, sozinhas, uma formação específica. Por isso, ao ler essas palavras, vale olhar o que vem junto: a formação, o registro, a abordagem.

A psiquiatra é médica. Pode diagnosticar e prescrever medicação, quando ela é necessária. Muitas vezes, análise e acompanhamento psiquiátrico caminham juntos, cada um no seu lugar.

No meu caso, as palavras se somam: sou psicóloga, com registro no CRP-SP, e psicanalista. O trabalho que faço é uma terapia de orientação psicanalítica — um espaço de fala e de escuta, sem fórmulas prontas, no tempo de cada pessoa.

Como saber se um profissional é sério?

Não existe uma lista que garanta o encontro certo, mas alguns sinais ajudam. Confirmar o registro no CRP, quando se trata de psicóloga. Perguntar sobre a formação e a abordagem. Desconfiar de promessas de resultado rápido ou garantido. E prestar atenção em como você se sente na primeira conversa: se houve espaço para falar e se houve escuta.

O vínculo entre quem fala e quem escuta é parte do trabalho. Não é detalhe.

Por onde começar

Por uma conversa. Você não precisa chegar sabendo explicar o que está acontecendo, nem ter escolhido a palavra certa para o profissional que procura. Chegar sem as palavras prontas é, quase sempre, o ponto de partida.

A conversa inicial existe para isso: para nos apresentarmos, entender o que traz você e decidir, juntos, se faz sentido seguir — e em que ritmo. Atendo presencialmente no consultório em Moema, São Paulo, e online, no Brasil e no exterior. Se quiser saber mais sobre como funciona a análise, deixei tudo explicado em uma página própria.